![]() |
democracia y política para el |
|
desarrollo sostenible en América Latina |
Sexismo y racismo
Suely Carvalho
Rever e ampliar o conhecimento sobre a origem da cultura sexista e racista tem
sido praticado permanentemente em todas as interfaces da ciência acadêmica e da
ciência popular desde a existência de um seleto grupo de sábios e sábias
ancestrais que nos libertaram da prisão da ignorância; Che Guevara, Ghandi,
Jesus Cristo, Dalai Lama, Zapata, Dandara, Zumbi, Salomão, Maria Madalena,
Sócrates e tantos outros contemporâneos e antigos.
A partir do conhecimento surge o desafio da desconstrução de conceitos e valores
respeitando a cultura étnica, facilitando a compreensão dos diferentes papéis
democratizando os direitos de cidadania compreendendo também o respeito à livre
opção religiosa e à livre opção sexual. Democratizar a cidadania é a ação
inclusiva do estado na administração do dinheiro público garantindo a
universalidade, equidade e qualidade das instituições públicas.
A livre opção religiosa respeita a escolha individual e rompe com as ditaduras
fundamentalistas que manipulam a emoção e a fé. Isso que a princípio parece
utopia pode ser realizado; entretanto, é necessário passar por alguns caminhos
nunca antes caminhados; por exemplo, conscientemente compreender que é
necessário um tempo real para a verdadeira mudança de paradigma e de
comportamento.
Mudar comportamento necessita ter uma proposta estruturadora construída
coletivamente para ocupar o lugar do que foi subtraído. Que a nova proposta
facilite algumas necessidades básicas como; garantia da vida, da prosperidade
sustentável, e da transcendência.
O desenvolvimento científico institucional, tecnológico e social traz alguns
benefícios e causa alguns prejuízos, mas também revela erros e fracassos de
modelos, práticas e paradigmas evidenciados nos estudos epidemiológicos. Nesse
elenco de erros e fracassos o sexismo é o traço mais forte e hegemônico da
cultura planetária, e o efeito são sociedades profundamente desiguais dividindo
a população em classes por aspectos econômicos, biológicos e culturais.
Nascer do sexo masculino ou nascer do sexo feminino já significa com papéis
definidos com prevalência de um sexo em detrimento do outro; evidentemente que
as mulheres unicamente porque nasceram do sexo feminino tem menos direitos de
cidadania menos poder público e menos liberdade.
Sabemos a partir dos permanentes estudos acima citados, que no período
civilizatório da organização da agricultura e da pecuária e depois na idade
média, o gênero feminino sofreu profunda mudança no tecido social com perdas de
direitos e perda de qualificação humana, categorizando as mulheres como seres
inferiores.
Índios, negros, asiáticos são nativos planetários mas estão secularmente
ameaçados de perdas de territórios, culturas e direitos em benefício de uma
reduzida elite heredeira da côrte. As palavras são a expressão da compreensão da
questão é o esclarecimento do porquê das atrocidades cometidas por seres humanos
contra seres humanos, as palavras dizem mas o fato evidencia.
A mulher índia grávida é atendida no pré-natal sem a devida atenção sobre suas
características biológicas, sem considerar sua cultura alimentar limitada de
vitaminas e de maior contato com parasitos. O bebê tem maior vulnerabilidade e a
mulher tem maior possibilidade de uma debilidade pós-parto.
A mulher asiática tem predisposição a transtornos gástricos, digestivos também
pela sua cultura alimentar cuja base é o arroz quando grávida os prenatalistas
geralmente desconhecem essas características, muitas vezes a gravidez é
desconfortável por problemas digestivos e a tendência é que o bebê tenha baixo
peso e por isso enfrente desafios maiores ao nascer e nas primeiras semanas pós-parto.
A mulher negra, sem dúvida, tem muito mais agravado contra si a discriminação
racial imbricado com o sexismo, nos índices da mortalidade materna de qualquer
país ocidental em desenvolvimento o maior percentual está entre as mulheres
negras. É desumano. No pré-natal não é dada a devida atenção às predisposições
inerentes ao povo negro; hipertensão arterial, diabetes, miomas uterinos, anemia
falciforme, osteoporoses.
Direitos reprodutivos e sexuais é uma política ampla e mundial elaborada pelo
conjunto do movimento de mulheres de todos os continentes aprovado e preconizado
pela Organização Mundial de Saúde. Foram as mulheres que tiveram que investigar,
sistematizar, evidenciar e apresentar aos governos as diferenças entre os
gêneros feminino e masculino, que essas diferenças não definem que um sexo seja
melhor que outro ou um mais competente que outro, se assim fosse os masculinos
estariam em desvantagem por que o cromossomo é XX, a feminina é XY portanto
universal.
Compreender essas diferenças entre os gêneros contribui com dados
epidemiológicos mais verdadeiros facilitando desta forma, políticas públicas que
atendam as demandas específicas reprimida, respondendo aos direitos da população
e construindo saúde de qualidade com vantagens econômicas.
Quando a medicina moderna, por volta do século XVII, mudou a posição da mulher
ao dar a luz, tirando-a da posição vertical para colocá-la na posição horizontal
mudou profundamente a vida da mulher. A posição de parir é uma questão política.
Deitada, olhando para o teto com as pernas levantadas ela jamais terá o controle
sobre seu corpo e sobre seu parto, entrega o comando e o protagonismo e assume a
condição passiva obedecendo ordens; “faça força, respire, não grite”.
¿Porque o parto domiciliar sofre perseguições? ¿Porque as Parteiras Tradicionais
são discriminadas? ¿Porque religiões não cristãs sofrem preconceitos? ¿Porque
homossexuais masculinos e femininas são discriminados? ¿Porque crianças são
maltratadas e violentadas? São várias as causas, as mais difíceis de serem
enfrentados são os sentimentos surrealistas associados a mitos que ganham poder
além de criarem factóides assimilado por fiéis. Isto não é diferente do totem,
do bezerro de ouro, do cálice.
O lucro econômico sem dúvida está junto com a primeira causa, algumas concessões
são feitas todas visando lucros e vantagens. Por exemplo, as populações de gays
e lésbicas estão bastante visibilizadas e inseridas ao convívio social tem
revistas temáticas, programas de televisão, personagens de telenovelas afinal é
um público de classe social alta, média e média baixa formadora de opinião uma
excelente fatia do mercado consumidor então se faz a política da boa vizinhança,
entretanto, nunca é aprovada nos parlamentos a lei sobre a união civil enquanto
direito, o que separa uma coisa da outra é o preconceito, a homofobia. Enquanto
consumidores são reconhecidos como segmento social, enquanto cidadãos e cidadãs
de direto não são reconhecidos.
O parto domiciliar é perseguido como uma prática absurda, construíram hospitais,
laboratórios, farmácias, seguros de saúde enfim, construiu-se uma indústria com
um enorme investimento econômico e que portanto prevalece a lógica do lucro mas,
além do neoliberalismo o poder é também pano de fundo das iniqüidades o parto
domiciliar revela o poder feminino o controle familiar sobre a vida e a
espontaneidade do parir e do nascer, dar a luz.
Além do empoderamento da mulher o parto domiciliar caracteriza o ser e fazer
feminino, mulheres ajudando mulheres, o saber popular sobre os rituais, as
plantas medicinais praticados pelas parteiras tradicionais, xamãs, rezadeiras,
raizeiros. Também configura o verdadeiro papel da medicina acadêmica e função
dos hospitais, ou seja, prestar serviço de diagnóstico, assistência terapêutica,
cirurgia e profilaxia, compreendendo que esta ciência não detém o saber absoluto
e que, onde termina o direito de uns começa o direito de outros. Quer dizer:
“existe vida inteligente além da medicina acadêmica e do modelo vigente de
assistência ”.
A violência sexual e doméstica é evidentemente contra mulheres e crianças ou
seja, sob a força bruta. ¿Quem disse aos homens que eles são seres superiores às
mulheres? Eles mesmos. Enquanto as mulheres usavam os tempos conhecendo os
meandros e lugares do ser e da vida na sua forma de pensar e de ver os homens na
sua forma linear e sintética de pensar e fazer chegavam antes com resultados
sobrepondo-se aos demais resultados.
Educados numa lógica sexista, a mulher tem a casa e o homem tem o mundo,
estruturou a sociedade legislando em causa própria e elaborando leis que
legalizasse seu direito de posse e autoridade sobre mulheres e crianças. Na
idade média o homossexualismo junto com o sexismo e o racismo promoveu o mais
perverso, desumano e obscuro massacre contra mulheres na história da civilização.
O instinto de sobrevivência é inerente à todo ser humano, na Europa as mulheres
sobreviventes da “caça às bruxas” por medida de segurança adotaram a lógica
masculina na educação dos seus filhos, sem perder sua crença guardada em segredo,
mas, sem querer e sem saber reproduziram um comportamento que consolidou uma
cultura linear, patriarcal. Tomados desse poder equivocado alguns homens
espancam, estupram, torturam e matam mulheres por considera-las criaturas
inferiores e por considerarem-se supremos e absolutos, também algumas mulheres
só conhecem essa forma de pensar.
O fato de causarem traumas às crianças e deixarem inúmeras órfãs de mãe, não se
incluem nas considerações ou responsabilidades desses homens, por isso, após a
ocorrência do fato a forma de contribuir para a mudança desse estado de coisas
exige, conscientemente, encaminhar aos cuidados das instituições de segurança,
saúde e justiça. Prevenir, desconstruir essa lógica perversa é necessário que
toda a sociedade, civil e governamental, invista o máximo em educação e garanta
a universalidade e eqüidade da cidadania.
Justifico porque acentuei ou destaquei questões de sexismo e discriminação
racial a partir da gravidez, parto e nascimento e gênero. Sou Parteira
Tradicional, herdeira das tradições das minhas bisavós e avós parteiras
tradicionais, realizei em torno de 5.000 partos em trinta anos. Fundei a
Organização Não Governamental C.A.I.S. do Parto: Centro Ativo de Integração do
Ser em Olinda, Pernambuco, Brasil, e sou mentora e coordenadora da Rede Nacional
de Parteiras Tradicionais.
Tenho aprendido muito ao longo dos anos e em companhia das minhas colegas
parteiras indígenas, quilombolas, caboclas, caiçaras, pantaneiras, sertanejas,
da floresta, das montanhas, do cerrado, dos pampas e urbanas, esse aprendizado
tem me ajudado a colaborar com a transformação permanente da sociedade buscando
intensiva e intensamente não mais me indignar porque não mais haverá iniqüidades
contra seres humanos e a natureza universal. Considero-me privilegiada porque no
exercício do meu oficio tenho a oportunidade de aprender lições sobre o Ser, o
existir e a beleza e simplicidade do que é real e verdadeiro.
S. Carvalho (Brasil). Parteira Tradicional. Fundadora do C.A.I.S. do Parto,
Coordenadora da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais.
Publicado en www.ciudadaniasexual.org. Se reproduce en nuestro sitio únicamente
con fines informativos y educativos.
_____________________________________________
Democraciasur.com • Ideas y conceptos